Sinto-me uma Ilha. A verdade é que sou uma Ilha humana, isolada no meu canto, observando e alimentando-me do que vejo ao meu redor. Muito sinceramente não sei se é uma necessidade minha, ou uma necessidade imperativa que o tempo está a fazer sobre mim.
Noto as pessoas cansadas e tristes, noto os seus medos da aproximação embora todas necessitamos de nos aproximarmos por termos frio, um frio que cada vez mais deixa a alma gélida. Não percebo a razão do porquê, na maioria das vezes também nada entendo de mim, por agir desta ou daquela maneira.
Os meus amigos/as fazem-me as suas confidências, contam-me as suas tristezas e vazios, como sendo eu um porto seguro de abrigo. Gosto e na realidade isso até me faz bem, porque me sinto gente de verdade e porque também enquanto falam esqueço-me de mim.
Os dias passam as noites passam, para mim está tudo igual, apenas do outro lado do mar, existe movimento, assisto a amores, zangas desamores, viagens e alguns sonhos que julgo já não puder realizar……e, eu sempre aqui como velando por todos/as, sem entenderem que estou só. Por vezes sinto-me como um farol, um farol que sente e que tem alma. Dizem que é feio dizer que se chora, porque incomoda, que é feio deixar transparecer a dor, mas eu hoje estou a chorar.
Deixo os dias correm desinteressadamente, como espirito errante sem medo apenas deixo-me levar ao som do nada, porque sinceramente de repente senti-me OCA...Distante uma ilha humana...

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